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Moradores do Jardim Miriam transformam terreno baldio em horta com 28 canteiros
A AMOR-Miriam limpou 800 m² de entulho, montou sistema de irrigação por gotejamento e distribuiu canteiros para 60 famílias do bairro.
O terreno na Rua Manuel da Nóbrega, no Jardim Miriam, ficou abandonado por mais de uma década. Entulho, mato alto e até um carro sem rodas ocupavam os 800 metros quadrados entre dois prédios de apartamentos. Hoje, o espaço abriga 28 canteiros com alface, rúcula, couve, manjericão, hortelã e mudas de acerola e limão — resultado de dois anos de articulação da Associação de Moradores do Jardim Miriam (AMOR-Miriam).
A inauguração oficial aconteceu no último domingo, com café da manhã coletivo e plantio simbólico de uma muda de jabuticaba no centro da horta. Cerca de 120 pessoas participaram, entre elas crianças da EMEF Professora Maria José que agora terão aulas de educação ambiental no local uma vez por mês.
Como a associação conseguiu o terreno
O lote pertencia a um herdeiro que mora em outro estado e não tinha interesse em construir. Após tentativas frustradas de contato direto, a AMOR-Miriam entrou com pedido de cessão de uso junto à Secretaria Municipal de Habitação, com apoio técnico da ONG Cidades Verdes. O processo levou 14 meses, incluindo vistoria ambiental e termo de comodato assinado em março deste ano.
"Não foi rápido, mas foi possível", disse o coordenador da associação, Antônio Ferreira, de 58 anos, aposentado da construção civil. "A gente documentou tudo: fotos do entulho, abaixo-assinado com 340 nomes, ata de assembleia. Quando a prefeitura viu que tinha organização de verdade, facilitou."
Mutirões e divisão dos canteiros
Entre março e maio, moradores realizaram seis mutirões para retirar entulho, nivelar o solo e instalar cerca de madeira recuperada. Um sistema de irrigação por gotejamento foi montado com doação de uma empresa de jardinagem de Santo Amaro e orientação de um agrônomo voluntário.
Os 28 canteiros foram distribuídos por sorteio entre 60 famílias cadastradas. Cada grupo de duas famílias cuida de um canteiro em escala de rodízio semanal. O excedente de produção — quando houver — será vendido em feira solidária aos domingos na calçada da associação, com preço definido em assembleia.
Desafios pela frente
A associação ainda precisa instalar um depósito de ferramentas e concluir a composteira coletiva. Há preocupação com segurança noturna: vizinhos relataram tentativas de invasão de motociclistas que usavam o terreno como atalho. A AMOR-Miriam solicitou à subprefeitura de Socorro iluminação no muro lateral e está organizando ronda solidária entre moradores das três quadras adjacentes.
A professora de geografia da EMEF Maria José, Patrícia Alves, planeja trazer alunos para identificar insetos polinizadores e medir o crescimento das plantas. "É matemática e ciência com terra na mão", comentou.
Segunda fase em julho
Em julho, a associação pretende abrir mais 12 canteiros na área leste do lote, onde ainda há solo a ser preparado. Está em campanha de arrecadação de mudas e sementes — quem quiser contribuir pode levar ao endereço da sede da AMOR-Miriam na Rua José Bernardo Pinto, 412, aos sábados das 9h às 12h.
O Terreiro acompanhará a primeira colheita coletiva, prevista para agosto, e continuará visitando as reuniões abertas da associação, que acontecem toda primeira quinta-feira do mês às 19h30.
Atualizado em 11 de junho de 2026 com número final de canteiros inaugurados.